quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Não é fácil o amor

paisagem
2.
O tempo passou, transformou tudo em gelo.
Sob o gelo, o futuro bulia.
Se caísses lá dentro, morrias.

Era um tempo
de espera, de acção suspensa.
Eu vivia no presente, que era
a parte do futuro que podíamos ver.
O passado pairava sobre a minha cabeça,
como o sol e a lua, visível mas inalcançável.
Era um tempo
governado por contradições, como
Não sentia nada e
tinha medo.
O inverno esvaziou as árvores, voltou a enchê-las de neve.
Como eu nada sentisse, a neve caiu, o lago gelou.
Como se eu tivesse medo, permaneci imóvel;
o meu bafo era branco, uma descrição do silêncio.
O tempo passou, e uma parte dele tornou-se isto.
E outra parte evaporou-se simplesmente;
podíamos vê-la a pairar sobre as árvores brancas,
formava partículas de gelo.
Esperas a vida inteira pelo momento oportuno.
Depois o momento oportuno
revela-se acção consumada.
Eu via mover-se o passado, uma fila de nuvens a avançar
da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda,
consoante o vento. Por vezes
não havia vento. As nuvens pareciam
ficar onde estavam,
como uma pintura do mar, mais imóveis do que reais.
Por vezes o lago era um lençol de vidro.
Sob o vidro, o futuro murmurava,
modesto, convidativo:
tinhas de te concentrar para o não ouvires.
O tempo passou; chegaste a ver parte dele.
Os anos que levou eram anos de inverno;
ninguém lhes sentiria a falta. Por vezes
não havia nuvens, como se
as fontes do passado tivessem desaparecido. O mundo
perdera a cor, como um negativo; a luz atravessava-o
de lado a lado. Depois
a imagem apagava-se.
Por cima do mundo
só havia azul, azul em toda a parte.

Louise Glück


segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Lixeira Cultural

Contribuo
com o que posso
para
a lixeira cultural

não é muito. eu sei
outros dão muito mais
eu não passo de um amador
enfim

o importante
é cada um dar o seu melhor
como dizem os irresponsáveis.

Alberto Pimenta

sábado, 22 de outubro de 2016

Free Speech

Don't comment if you're poor or disadvantaged, because you're a scrubber and a scrounger and basically a waste of space.

Don't comment if you've got any affiliation with a political party or social movement, or have previous for mouthing off about issues that matter to you, because you clearly have an agenda.

Don't comment if you've not commented about this before, because you're out of your depth and need to stick to what you know and what about all the other things in the world you're not commenting upon?

Don't comment if you've got 12 followers on Twitter because no one cares what you think, you unimportant loser. Don't comment if you've got 1.2 million followers because who do you think you are, you jumped up egotist?

Don't comment if you're brown or black or Muslim or Jewish or gay or trans or bi, because you just need to get over yourself and stop playing the victim all the bloody time.

Don't comment if you're none of the above because you're just a bleeding heart liberal leftard, who jumps onto bandwagons that have nothing to do with you. Wind your fucking neck in.

Don't comment if you're a woman because you're getting ideas above your station and you're too pretty to be worrying about that, or maybe you're just one of them feminazis and probably a lesbian.

Don't comment if you're rich or famous because you're a luvvie and you don't live in the real world, and why don't you open your own fucking home to them? Just like we take in orphans when we donate to Children In Need.

Don't comment if you haven't got the full facts because you're ill-informed and wrong. Don't comment if you're an expert in the field because we don't trust so-called experts and educated elites.

Don't care. Don't worry. Don't have compassion. Don't comment on anything or anyone that's not us. Don't question what 'us' is. Don't be offended. Don't feel guilty. Don't get angry. And don't fucking cry.

Don't comment. But yeah, free speech.

Nasty Woman


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